CM: Capítulo 10

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Cartas


A chuva caia lentamente sobre a Academia cobrindo todo o lugar sob uma cortina cinzenta. Em seu quarto o jovem Xi ouvia o som da chuva caindo deitado em sua cama.


Após terminar os testes o jovem tinha sido guiado em silêncio por um servo até seu quarto onde foi trancado.


Xi sentia seu corpo todo dolorido pelo esforço que fez durante todo o dia. Os músculos de suas costas e de seu pescoço estavam ardendo pela posição inclinada que tinha mantido quase o dia todo. Seus dedos estavam latejando e tremendo de exaustão. Seus olhos estavam vermelhos e estava sendo difícil se manter acordado.


A única coisa que impedia o Bronze de dormi era sua mente super ativa que ficava repassando os exercícios do teste. Ele não estava muito preocupado pois sabia que tinha se saído bem nos testes, mas o resultado da simulação ainda o incomodava.


O número de supostos soldados que ele perdeu na pequena operação foi grande de mais. Se fosse na vida real ele teria sacrificado a vida de dezenas, se não, centenas de homens e mulheres com sua estratégia de combate.


Xi estava convencido que precisava estudar mais.  Ele era habilidoso o bastante para conseguir a vitória, mas ainda não tinha poder para conseguir a vitória com o mínimo de baixas para suas fileiras.


Enquanto se convencia sobre essas coisas o sono finalmente encontrou o jovem. Ouvindo a chuva caindo do lado de fora o jovem adormeceu, caindo em um sonho tempestuoso com hordas de Predadores da Noite invadindo cidades e devastando os exércitos do Império.


Xi acordou assustado. O corpo coberto de suor e a chuva ainda caindo sobre a Academia deixando a temperatura cada vez mais fria. Instintivamente o jovem se agarrou a seus cobertores ainda se lembrando do pesadelo com os Predadores.



  • Merda! Estou parecendo uma criancinha.


Resmungou o jovem percebendo que suas mãos tremiam um pouco. Se por medo ou pelo cansaço ele não sabia.


Foi então que ele ouviu o grito desesperado de alguém vindo do corredor. Primeiro Xi se encolheu, mas quando ouviu o grito outra vez ele xingou e jogou as cobertas para o lado enquanto se levantava e corria em direção a porta.


Ele tentou abrir a porta para descobrir o que estava acontecendo, mas a porta não abria e ele se lembrou rapidamente que ele estava trancado no quarto.



  • Porque? Porque? – gritava a voz do outro lado da porta – eu fiz uma boa prova. Não me expulsem!


Um calafrio atravessou a coluna de Xi conforme ele entendia o que estava acontecendo. Ao perceber ele recuou um passo para longe da porta conforme os gritos desesperados de algum aluno da classe A ia se afastando.


Xi estava aliviado por não ser ele sendo levado para longe. Assim como estava aliviado por não ser a voz de Buco ou Swam no corredor,  mas ele só tinha acordado agora. Será que mais alguém tinha sido levado ? Quantas pessoas estariam na aula amanhã ?


A noite continuou passando lentamente acompanhando o fluxo da chuva enquanto Xi tentava se manter acordado.  Uma vez ou outra ele conseguia ouvir passos do outro lado da porta, mas ninguém veio incomodá-lo ou levar outro aluno.


A noite prosseguiu embalada pela chuva e novamente o cansaço e o sono abraçaram o jovem. Xi adormeceu em um sono sem sonhos com sua consciência nadando em um confortável vazio.





  • É tão difícil assim? – perguntou Buco sentado a frente de Xi do outro lado da mesa lendo uma carta.


O jovem Bronze olhou para as três cartas diante dele e dirigiu um curto aceno de cabeça para o companheiro antes de pegar a primeira carta das três. Ele abriu o envelope branco revelando um pequeno pedaço de papel amarelado com algumas poucas linhas escritas.



  • Minha irmã continua preguiçosa como sempre para escrever – murmurou Xi passando os olhos pelas letras bem escritas no papel.


Um pequeno sorriso surgiu nos lábios do jovem conforme ele lia a carta da irmã. Yau Zhang era a filha mais velha do Bronze Xen Zhang e a segunda de suas crianças. Era uma mulher crescida que tinha conseguido um alto posto militar sob o comando do herdeiro da província. Xi sentiu uma pontada de saudades conforme lia a carta de sua irmã, ela colocou poucas palavras no texto, mas o bastante para mostrar seu contentamento por ele continuar na Academia


Yau tinha sido uma das pessoas que mais ensinou Xi sobre estratégia e como motivar soldados, ela sempre tentou colocar na mente do jovem que ser honesto com as pessoas ganhava a confiança delas, mas que chegaria alguns momentos em que ele precisaria esconder a verdade para completar uma missão ou para manter alguém ou algo em segurança.


Xi pegou a segunda carta e a abriu com o coração um pouco mais leve após a carta de Yau e começou a ler a carta que seu irmão Xin tinha mandado. Xin era o quinto filho da família Zhang com meros dois anos a mais que Xi. O quinto filho tinha se formado na Academia como um Senhor da Guerra e pilotava um Deus da Guerra no exercito de seu pai como um orgulho para a família. Xin era um dos irmãos preferidos de Xi, ele era o mais próximo em idade do jovem Bronze assim como o que mais oferecia um tempo para conversar sobre qualquer assunto alem dos militares.


Conforme Xi lia a carta de seu querido irmão ele foi sentindo um aperto no peito. Xin contava sobre as dificuldades para conseguir comida para as pessoas não só no território de sua família como em todo o Império. Noticias sobre duas facções conflitantes que cresciam em cada cidade do Império surgiam a cada momento e cada noticia era pior que a outra com conflitos surgindo em vários lugares. O exercito estava sendo utilizado em vários locais para suprir os movimentos violentos do povo que se digladiavam nas ruas das cidades do Império.



  • Buco? Você já ouviu falar da Moeda Dourada e da Espada Negra? – perguntou Xi para o companheiro que tinha terminado de ler suas cartas do outro lado da mesa.


Buco lançou um olhar estranho para Xi devolvendo suas cartas para a mesa, ele inclinou a cabeça para o lado olhando para Swam que tinha levantado sua cabeça de entre suas cartas para encarar Xi.



  • Tenho um certo conhecimento sobre os dois- respondeu Buco um pouco desconfortável- porque?

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