A Queda: Capítulo 3

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Na Cabeça.


Dentro da mochila do João havia duas garrafas de água e seus cadernos, ele devia estar vadiando por aí enquanto tudo aconteceu, peguei uma das garrafas e comecei a beber, me encontrava em uma sala perto de uma das escadas que davam acesso a quadra, decidi não descer por enquanto, haviam muito daquelas coisas por lá, preciso achar um jeito de sair daqui, este lugar é uma zona de morte, embora eu ache que na cidade não esteja muito melhor.


-Droga! Eu não sei onde ir, não há lugar que eu ache que esteja seguro. É aquelas coisas realmente estão mortas.


Me lembrei da garota que foi morta pelo João, eles realmente estão mortos, então não há jeito de se livrar deles? Como passo por eles? Eu só posso correr? Não, deve ter um jeito, preciso descobrir qual para sair daqui.


Em quanto estava inerte em meus pensamentos, a porta da sala se abriu e uma garota entrou, ela estava ofegante, mas seu rosto era bonito mesmo nessa situação, ela tinha um cabelo curto, que acabava em seus ombros, e na suas pontas o cabelo era encaracolado, não estava usando o uniforme, mas sim uma camisa do Kansas e uma calça jeans com uma corrente saindo do seu bolso e indo para seu cinto.


Ela olhou para mim e se virou fechando a porta e a segurando, ela encostou suas bochechas e sua orelha na porta, ouve um silêncio, eu não era idiota o suficiente para não perceber que ela estava correndo daquelas coisas.


-Ei, oque houve?
-Shhhh!


Ela fez “shhh” para mim? Perdi total interesse nela, continuei pensando no que fazer, olhando mais um pouco na mochila do João, vi que havia um canivete, o que diabos ele fazia com isso na escola? Peguei ele e vai sua lâmina, estava afiada, possivelmente posso me defender com isso.
Enquanto estava interdito nisso, a garota trancou a porta e se afastou, ela estava com um rosto abatido, não queria perguntar o porquê, mas queria saber, embora ele pudesse não me responder.

-O que houve?
-Você ainda está aqui? Tem uns cinco bichos daqueles na porta, e eles não sabem de jeito nenhum. Droga, preciso encontrar meu irmão.
-Há pessoas vivas nesse inferno ainda?
-Claro que sim. Você se acha o especial e o único sobrevivente? Se liga, você é mais um pedaço de carne para aquelas coisas
.
Depois de dizer isso ela se sentou em uma mesa perto de uma janela e começou a me ignorar. Garota irritante, mas e agora, como vou sair daqui? Se a porta está bloqueada por essas coisas, não há modo de sair, talvez algo que não sei sobre eles possa me ajudar, mas o que? Olhei em volta da sala buscando por algo, então olhei para a garota em cima da mesa.


-É isso!
-O que foi? Não fique muito animadinha só porque estamos presos nesta sala sozinhos, se você chegar perto, eu te mato.
-Não é isso, essas coisas, conseguem subir em algo? Pelo que eu reparei nelas, elas são ler das e parece que não tem muita coordenação.
-Eles não conseguem, agora pare de falar comigo.


Não vou ficar nesta sala com essa metida, tive uma ideia, Rodnei a sala, peguei todas as mesas e coloquei-as no centro, e fiz mais uma pilha em cima dessas mesas, a garota olhava com cuidado, mas desviava logo em seguida quando eu a encarava, peguei meu bastão e o canivete, peguei uma blusa que estava em uma das mesas e a rasguei com o canivete, logo depois amarrei o canivete a ponta do bastão com o trapo, fui em direção a porta e me virei para a garota.


-É o seguinte, eu vou distrair eles e você corre para fora dessa sala.
-Você está louco, essas coisas vá o te matar e depois me matar, não fique se mostrando para mim, eu não sou fácil desse jeito seu puto!
-Na verdade eu estou fazendo isso para não ficar em um mesmo lugar que você, não se ache tanto assim garota.


Disse isso com um tom desleixado, virei a maçaneta da porta, no momento em que fiz isso a garota pulou da mesa em pânico e foi o mais longe o possível da porta, as coisas começaram a entrar uma atropelando a outra, todas elas me cobiçando, fui em direção às mesas lentamente para que elas não perderem o foco em mim, chegando as mesas subi nelas, as coisas me rodearam, peguei meu bastão e me virei para a garota e falei para ela correr, ela nem pensou e saiu em disparada pela porta, não ligava para ela, só ligava para descobrir como matar essas coisas.
Elas estavam tentando subir, mas não conseguiam, tentavam me puxar, mas não me alcançavam, por sorte tinha meu bastão, bem, essas coisas já estão mortas, então não adianta ferir nenhum membro que elas não vão sentir dor ou ser atrasadas, nenhum órgão vital, pois eles provavelmente não funcionam mais, mas eles ainda podem se mexer, então talvez se eu atingir o cérebro restringe os movimentos deles.


Depois de chegar a essa conclusão me aproximei do primeiro deles, levantei meu bastão e cravei o canivete totalmente em seu crânio, nesse instante seus braços caíram e ele ficou em pé só pelo canivete que estava em seu crânio, dei um chute em seu corpo que o fez soltar o canivete e cair logo em seguida, fiz isso nos três primeiros, quando cravei no quarto, o trapo que já estava coberto de sangue se soltou, fazendo o cair junto a coisa que foi acertada, havia mais um ainda vivo, o empurre com toda a força que restava usando meu bastão, sai de cima das mesas e fui em direção ao corpo, o canivete estava gravado muito fundo, precisei fazer força para soltar, quando me levantei a aberração veio em minha direção, usei meu bastão para empurra-lo em direção a parede, fiquei próximo a ele, ele era forte, com dificuldade consegui mantê-lo ali até alcançar o canivete e acertá-lo em sua cabeça, ele parou lentamente e caiu no chão, minhas mãos estavam cobertas de sangue dessas coisas, olhei-as e fiquei ali parado.
-Eu fiz isso. Eu fiz isso!


Não acreditava que eu, a pessoa que era saco de pancada conseguiu sobreviver a isso, fui em direção as minhas coisas e as peguei, guardei o canivete no bolso da calça que era da fácil acesso, coloquei a mochila nas costa e meu bastão em minha mão, fui em direção a porta e quando sai via uma garota com a camisa do Kansas vindo na minha direção junto com mais três pessoas, elas pareciam surpresas e me olharam estranho, como se estivessem com medo, menos uma pessoa, essa que sempre me batia e maltratava, a única pessoa que eu não queria encontrar viva, André. Olhei em sua direção, ele estava com aquele sorriso.


-Marcos! Você estava preso lá com essas coisas até agora, incrível como não foi comido, você deve ser bem sortudo.
-Sim, eu sou. Aliás foi uma grande sorte eu ter nascido com um cérebro ao invés de um tumor na cabeça igual você.
Neste momento André errou os dentes, essa foi a melhor coisa que vi hoje, comecei a rir da cara dele ali mesmo.
-Você não vê a situação seu cuzao? Estamos no meio de um inferno aqui, se você morresse ninguém iria perguntar porquê.
-Te digo o mesmo, se você tentar fazer alguma coisa comigo, eu vou revidar, porque agora não da em nada matar você, ninguém iria ligar.


Puxei meu canivete enquanto falava isso, o sangue seco na minha mão deu mais ênfase a minhas palavras, então ele se calou. Guardei meu canivete, então a garota começou a falar.


-Obrigada por mais cedo. Aliás não faremos nada a você, mas oque houve com aquelas coisas?
-Entre lá e veja.
Me afastei da porta, ela olhou dentro da sala, viu as coisas que estavam atrás dela até pouco tempo, ela me olhou surpresa.
-O que você fez?
-Eu sobrevivi.
Ela olhou para os idiotas que estavam parados, eles também pareciam surpresos, seus olhares se cruzaram e depois acenaram a cabeça
-Nós precisamos de ajuda!
-Para quê?
-Nós estamos deixando essa escola hoje!


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