CM: Capítulo 4


Primeiras Aulas



  • Isso é o melhor que podem fazer? – Perguntou um irado Tatua Sum para a classe A – Pensei que vocês fossem os melhores dessa geração, mas mal aguentam uma sessão de treino matinal.


Xi estava curvado sobre o próprio corpo tentando recuperar o fôlego após dar quarenta voltas no gigantesco Salão de Treinamento da Academia. Mal os alunos da classe A tinham se reunido no Salão de Treinamento para sua primeira aula com o Instrutor Tatua, o gigantesco homem mandou que eles dessem quarenta voltas no salão para se aquecer para os exercícios matinais.


Olhando em volta, Xi percebeu que mais da metade da classe estava jogada no chão sem forças para se manter de pé, entre esses estavam os primos Q’wem. Surpreendentemente alguns plebeus se mantinham de pé com uma compostura louvável digna de um soldado o que indicavam a profissão de seus pais ou de algum parente próximo. Dentre os nobres, os que tinham se saído melhor foram Xi, Muh e Ling assim como Feng. Já o pobre Tou estava jogado no chão com os braços abertos e o corpo banhado em suor.



  • Vocês são uma vergonha para suas famílias – bradou o Instrutor – Vamos, fiquem de pé! Eu não tenho o dia todo.


Lentamente os alunos foram se levantando e tentando com muito esforço se manter de pé sem oscilar de uma lado para o outro com as pernas bambas. Xi e Swam tiveram que erguer Buco cada um por um braço e segurar o gorducho por alguns segundos para ele se estabilizar.



  • Ótimo! Pelo menos ninguém esta reclamando – Disse Tatua rodeando os garotos – Agora montem quatro filas com cinco de vocês. Das melhores notas para as piores.


E com essas palavras o Instrutor começou a separar os alunos mostrando segundo o “sistema” quem era melhor que quem. Xi achava isso uma burrice, mas não iria contestar as palavras de um Instrutor no primeiro dia de aula. No entender do jovem Zhang não é porque uma pessoa não se da bem em algo que ela é inútil nesse assunto, ela só enxerga as coisas de um ponto de vista diferente.


Após os alunos se posicionarem nas quatro filas, começando da direita para esquerda o jovem Xi percebeu que Buco estava no final da segunda fila e Swam no inicio da terceira, indicando que suas notas eram as mais medianas daquela turma. Por curiosidade, Xi olhou para o inicio da segunda fila para saber quem era o melhor aluno entre os plebeus e se surpreendeu ao achar lá assim como entre a nobreza uma garota, mas diferente de Ling que era linda como uma deusa, a plebeia era corpulenta até mesmo para os padrões masculinos dos izanitas e possuía um longo cabelo trançado até o meio das costas. Seu rosto era quadrado e sem graça, mas seus olhos possuíam uma vivacidade arrebatadora.



  • Já que foram selecionados para essa Academia, eu devo supor que conhecem todas as oito formas básicas do Ju’Gam, correto? – perguntou Tatua andando de um lado pra o outro diante da fileira da nobreza.


Todos os jovens responderam rapidamente que sim. Já que queriam seguir a carreira militar, era essencial que eles aprendessem pelo menos o básico do Ju’Gam a arte marcial usada no exercito imperial. Xi tinha sido treinado no Ju’Gam desde os oito anos de idade, tanto seu pai quanto seus irmãos eram fluentes nos movimentos marciais de ataque e defesa e ao longo dos anos ele tinha se juntado a eles quando estavam treinando até que começassem a treina-lo a serio.



  • Ótimo! Vamos começar agora uma sessão de treino para ver o quão péssimos vocês são. Façam as oito formas em sequencia e deixem-me julga-los. Comecem.


Lentamente como era de costume os jovens começaram a executar as oito formas do Ju’Gam esticando braços e dobrando as pernas se movendo em quase perfeita sincronia dando golpes com as palmas de suas mãos e executando chutes baixo. O Ju’Gam servia para ajudar soldados em combate próximo para que pudessem golpear incapacitando ou até mesmo matando inimigos tanto armados quanto desarmados.


Tatua observou em silencio os vinte alunos se moverem, percebendo quais se moviam com certeza em seus movimentos e quais imitavam aqueles a sua volta. Os alunos repetiram dezenas de vezes as oito formas golpeando o ar em silencio numa dança considerada mortal em batalha. Como o instrutor já imaginava os nobres eram os melhores praticantes do Ju’Gam com a única exceção do pobre Tou que sempre estava um segundo atrasado em cada forma ou errando vergonhosamente alguns movimentos. Tatua sabia que o jovem era um gênio de um intelecto invejável, mas sua falta de talento marcial era uma vergonha para a nobreza. O Instrutor estava a ponto de encerrar a sessão quando viu algo que o surpreendeu, um jovem plebeu que acompanhava o ritmo dos nobres com uma precisão invejável.



  • Bom, vejo que alguns de vocês servirão para algo futuramente – ele então mandou que encerrassem as oito formas e ficassem a postos – Os primeiros meses eu irei avaliar a resistência de vocês e farei com que cada um de vocês esteja no “mínimo” acima da media dos praticantes do Ju’Gam.


Essa ultima parte o gigantesco Instrutor fez questão de olhar para Tou, fazendo o jovem se encolher em seu lugar.



  • Quando eu achar que já alcançaram um nível aceitável eu irei começar a ensina-los a manejar corretamente uma Almashas e a dispararem uma Alfings. O que você quer, Muh?


Enquanto o Instrutor falava o jovem Muh tinha erguido a mão pedindo permissão para falar, após receber essa permissão ele deu um passo a frente pomposamente falando.



  • Instrutor Sum! Para que devemos conseguir maestria no uso do Ju’Gam e das Almashas quando as batalhas são decididas pelos disparos das Alfings e dos canhões de enerjom nos dias atuais?


-É uma boa pergunta, pirralho – resmungou o instrutor caminhando até Muh fazendo com que seu corpo musculoso ficasse a centímetros do jovem magro – A primeira resposta para isso é simples. Nem sempre você terá uma Alfings ou qualquer outra arma de longo alcance em mãos quando for atacado. A segunda resposta já é uma coisa mais pratica. Qualquer arma que dispare enerjom concentrado demora para recarregar, a mais rápida demora três segundo e em três segundos muita coisa pode acontecer. Nenhum disparo de enerjom garante uma morte certa para o alvo. Ele pode se esquivar ou estar usando alguma blindagem.


Tatua então apontou um dedo grosso para o peito de Muh fazendo o jovem recuar um passo intimidado perante o Instrutor.



  • Se depender de mais de qualquer arma de longo alcance você não ira durar muito num campo de batalha, seja ele qual for – essas ultimas palavras pareceram para os alunos como se tivessem uma mensagem oculta que fez muitos deles franzirem as sobrancelhas – Agora chega de conversa fiada, façam as oito formas por mais uma hora e estão livres para ir para a aula daquele Javali!




O Javali era o apelido perfeito para o gordo Gon Wo. A sala de aula de Gon era totalmente diferente do Salão de Treinamento usado por Tatua. Várias fileiras de cadeiras e mesas cercavam uma palanque metálico em um semicírculo.


Sobre o palanque se encontra uma grande mesa de pedra onde atrás estava sentado o Instrutor e atrás deste uma tela holográfica onde “Relações Internas e Externas do Império” estava escrito.


Gon beliscava um doce vermelho enquanto esperava os alunos suados pelos exercícios matinais se sentarem em seus lugares.



  • Eu espero que na próxima aula vocês gastem alguns minutos entre as aulas daquele macaco e das minhas para tomar um banho.


O cheiro de suor dos alunos estava tão forte que fez com que Gon largasse seu doce, perdendo seu apetite momentaneamente. Rapidamente o Instrutor moveu seus dedos gordos sobre a mesa de pedra ativando um teclado acoplado a sua superfície.



  • Prestem atenção agora, suas pestinhas! – logo a cima da cabeça do gordo apareceu o mapa global de Maya – Como todos vocês devem saber nos vivemos em Maya. Quinto de oito planetas do Sistema Aralia. Após a Era da Calamidade o nosso mundo foi dividido em cinco continentes. Nós estamos localizados no maior desses continentes, o continente Saramir. Ao sul ligados a nós por uma pequena facha de terra se encontra o selvagem continente Albrula. Atravessando o Mar de Gelo mais ao sul fica o continente Ifrem onde o inverno reina eternamente. A oeste de Saramir se encontram as Ilhas de Fogo e mais além o segundo maior continente de Maya, o continente Vaczim. Esses quatro continentes e as Ilhas de Fogo são onde residem as maiores civilizações de nosso tempo.

0 comments:

Postar um comentário